"Quanto a mim, não se me dava de lá ficar, dormindo o sono eterno quando me chegar a hora, pois que foi ali que nasceu o meu amor à Montanha, que um dia havia de congraçar vontades para lançar as bases de Montanhismo organizado no nosso País. Foi ali sim, nos modestos montes de Cerveira que saiu dos sonhos dum rapazote de 13 anos a realidade que um homem de 30 pode corporizar"
O Alto do Crasto é um ponto elevado no extremo noroeste da Serra da Gávea, sobranceiro à freguesia de Lovelhe, no concelho de Vila Nova de Cerveira. As íngremes paredes graníticas e as imponentes formações geológicas da área envolvente, constituiram condições idóneas de defesa natural, para na Idade do Ferro se fixar um castro defensivo. Segundo Carlos Alberto Ferreira de Almeida este sítio é apontado como a localização de um Castelo Cabeça de Terra durante a época da Reconquista e estabelecimento do Reino de Portugal.
Durante a segunda década do século XX, o Alto do Crasto chamou a atenção de um jovem que passou parte da sua juventude em Vila Nova de Cerveira, percorrendo os seus montes e iniciando-se na escalada em rocha. Este jovem pioneiro, Dr. Jorge Sanches de Castro e Santos, foi pouco mais tarde o grande impulsionador do Montanhismo em Portugal, tendo constituído em 1943, o Clube Nacional de Montanhismo, com sede na cidade do Porto e sócio-fundador da União Internacional de Associações de Alpinismo (UIAA).
Durante a 1ª metade do século passado, este notável espaço constituiu o palco de acção para a iniciação de escaladores e montanheiros e, após um longo período de interregno, volta a chamar a atenção de escaladores isolados como Francisco Caldas (do Grupo Juvenil de Caminha, actualmente do Clube Celtas do Minho) que durante a década de oitenta inicia-se na escalada em rocha na companhia (formativa) de Santi Suárez Alonso e de J.R. Melon, ambos do Club Montañeros Celtas, cujo grupo abre as primeiras vias registadas na Zona de Escalada do Cervo, precisamente no Sector Golfinho.

Em 1994, jovens da Secção dos Celtas de Lovelhe da Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de Lovelhe iníciam a sua formação em escalada nestas paredes, dando origem ao Clube Celtas do Minho. Desde então foram abertas diversas vias, primeiro no Sector Golfinho, depois no Sector Cervo, seguido do Sector Bavaressa e do Sector Penedo dos Ninhos. A maioria das vias abertas nos diferentes sectores foram da responsabilidade dos escaladores do Clube Celtas do Minho, Francisco Caldas e de Miguel Dantas, adeptos da escalada de aderência e do "grau". A extraprumada via Bavaressa Celta foi aberta por Emanuel Oliveira em 1997.
No ano 2002, com o XI Encontro Peninsular de Montanha é inaugurada a Zona de Escalada do Cervo, cujo equipamento e acondicionamento do espaço teve o apoio do Município de Vila Nova de Cerveira. Durante este certame foi homenageado o Dr. Jorge Santos, tendo sido descerrada pela filha do fundador do CNM, D. Ermelinda Monteiro, uma placa de homenagem aos "pais" do Movimento Nacional de Montanha.
A Zona de Escalada do Cervo, num espaço de indiscutível beleza, atrai actualmente escaladores apologistas do "grau", principalmente da vizinha Galiza, devido à dificuldade e técnica que as vias exigem.






