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Estatísticas do Instituto de Desporto - A Verdade da Mentira

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Artigo  enviado ao Provedor do Jornal Público:

Na passada edição do Jornal Público de 13 de Agosto de 2009, é publicado na página 26, um artigo de Hugo Daniel Sousa sobre a situação actual do desporto federado, cujo título é “Portugal duplica atletas federados mas está longe do topo europeu”, tendo por base as Estatísticas do Instituto de Desporto. Ao ler o artigo deparei-me com uma afirmação que deixou completamente perplexa toda a comunidade desportiva de montanha, ao incluir a Federação de “Montanhismo” e Campismo de Portugal na 3ª posição do ranking das federações com mais atletas federados, passo a citar: “...A segunda maior é o voleibol e a terceira o campismo e o montanhismo, federação que junta actividades campistas com desportos como o alpinismo e escalada.

Como dirigente de um Clube promotor de desportos de montanha, filiado na Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada, a qual congrega quase todos os clubes de praticantes de desportos de montanha (pedestrianismo, o montanhismo, a escalada, o alpinismo, o canyoning e a corrida de montanha), custa-me a entender como é possível actualmente, confundir-se o campismo com uma modalidade desportiva, quando esta actividade de âmbito turístico e associada a uma exploração comercial, não passa de uma actividade de uso de um determinado equipamento de alojamento (turístico), de acordo com a Lei em vigor. É verdade que a Federação Portuguesa de Campismo tem vindo a aproveitar-se da prática de algumas filiadas - associações, sindicatos e clubes de pessoal de empresas com secções desportivas, com algumas modalidades de montanha (principalmente, o pedestrianismo), para tentar justificar o seu papel junto do Estado como entidade que tutela o desporto de montanha em Portugal e beneficiar assim, das condições fiscais do estatuto de utilidade pública desportiva. Contudo, contra factos não há argumentos e os próprios relatórios e contas da federação campista, permitem-nos confirmar a sua «grande actividade desportiva». Ora segundo o Relatório e Contas de 2006 (o único que se encontra disponível para consulta no site da Federação de “Montanhismo” e Campismo de Portugal), esta federação registava 45 149 Cartas de Campista Nacionais, 963 Cartas de Montanheiro e 393 Cartas Juvenis (Campista), totalizando 46 505 Cartas que a FPC classifica como sendo todas cartas desportivas que identificam todos como atletas federados, ou seja, o típico campista que realiza a sua actividade turística num parque de campismo instalando para o efeito a sua tenda, atrelado-tenda, roullote ou auto-caravana encontra-se, enquanto se instala, a praticar uma modalidade desportiva.

 

N.º de Licenças Desportivas por Modalidades emitidas pela FPMC - 1991-2006. Fonte: Relatório e Contas de 2006

 

Sendo assim, conhecendo a realidade do dado publicado em que se destaca 38 382 atletas federados em 2008, permite-nos concluir que quase a totalidade dos federados da Federação de “Montanhismo” e Campismo de Portugal são praticantes unicamente de campismo e um ínfimo grupo residual reúne os praticantes de pedestrianismo. Ora sejamos racionais, se esta federação campista reunisse um grupo tão numeroso de verdadeiros atletas de desportos de montanha, logo o famoso alpinista português João Garcia não seria o único a pisar os cumes do Himalaia até ao momento! Por outro lado, pergunto-me, quando o João Garcia instala os seus campos intermédios para atingir os catorze “oito mil” estará fazendo campismo!?

Daí que nós praticantes, não conseguimos entender é a razão pela qual os sucessivos governos permitem que a Federação de Campismo represente, apenas para o Estado Português, os desportos de montanha, das duas uma: ou consideram o campismo como desporto ou ignoram completamente o conceito e a situação dos desportos de montanha no país!?.

Graças à vontade e determinação de quase todos os clubes de praticantes de desportos de montanha fundou-se em 2002 a Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada (FPME) que conta com 2 725 praticantes federados e a qual, apesar da falta de reconhecimento e apoio governamental, veio ganhar o merecido reconhecimento internacional, sendo membro de pleno direito na União Internacional de Associações de Alpinismo (UIAA) e na Federação Internacional de Escalada Desportiva (FISC). Igualmente é co-organizadora, em conjunto com o Clube Nacional de Montanhismo (sócio-fundador), da Assembleia Internacional da UIAA a ter lugar no Porto, nos dias 6, 7, 8, 9 e 10 de Outubro de 2009.

Face a esta ridícula situação que vive o desporto de montanha em Portugal, subscrevemos na totalidade as palavras de João Garcia, membro-fundador da FPME, o qual afirma no mesmo artigo “ser inevitável dividir as competências entre as duas federações”. Ora para bom entendedor meia palavra basta! O campismo aos campistas, os desportos de montanha aos montanhistas!

 

Emanuel de Oliveira

Clube Celtas do Minho – Sócio-Fundador da FPME

 

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Actualizado em Sexta, 04 Setembro 2009 17:24  

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