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O Pedestrianismo Hoje!

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Ano após ano, assistimos a uma crescente mobilização de pessoas que buscam a montanha para percorre-la a pé por caminhos e trilhos previamente marcados e sinalizados. Estes equipamentos – os percursos pedestres – têm vindo a proliferar em muitos concelhos de Portugal, criando verdadeiras redes de percursos, atractivas e convidativas para usufruir e contactar com a Natureza, em companhia da família ou de um grupo de amigos. Muitos procuram o enquadramento dos clubes ou empresas por diversos motivos: maior segurança, convívio, companhia, enriquecimento de conhecimentos, etc..
O certo é que há muita gente a percorrer os vulgarmente denominados “trilhos” sem qualquer formação ou conhecimento de técnicas básicas que garantam a auto-segurança. Apesar dos percursos pedestres encontrarem-se marcados e sinalizados, independentemente da qualidade da marcação/sinalização, o praticante – pedestrianista – deverá possuir alguma formação imprescindível para o seu bem e para a conservação do meio envolvente. A nossa experiência como praticantes de montanhismo, permite-nos afirmar que o pedestrianista português, o qual acordou há pouco menos de uma década para o uso destes equipamentos, caracteriza-se por ser excessivamente mais exigente na qualidade da marcação e da sinalização quando comparado com os praticantes provenientes de outros países da Europa, tais como o praticante francês ou espanhol, onde o pedestrianismo está implantado há cerca de meio século. A razão disto deve-se sobretudo à vasta experiência e à formação destes praticantes, relativamente à grande maioria dos pedestrianistas portugueses que percorrem os “trilhos” sem qualquer formação e sem seguro. É vulgar diariamente ouvirmos e registarmos queixas e reclamações de percursos pedestres onde faltou uma ou outra marca ou sinalização, tendo induzido o pedestrianista ou mesmo um grupo de praticantes em erro, levando-o à sua desorientação ou até perder-se. Perguntamo-nos pois, se o praticante ou alguém do grupo levava consigo a cartografia com a implantação do itinerário, se manipulava a carta, se levava uma bússola, ou se sabia interpretar a paisagem!? Por outro lado, observando os inúmeros percursos que calcorreamos, apercebemo-nos que a falta de formação não se encontra só no domínio das técnicas de orientação e navegação em montanha, mas também na falta de formação ambiental, onde constatamos a existência de lixos acumulados, de latrinas e o corte e arranque de espécies da flora ou a invasão da propriedade privada e dano às culturas agrícolas.
É imprescindível que aqueles que procuram estes equipamentos tenham a responsabilidade de se formar e, principalmente, quando assumem a condução de um grupo, mesmo sendo família. Como praticantes deverão ter o cuidado de conhecer o meio e as técnicas básicas que garantam a sua auto-protecção e segurança, em vez de exigirem percursos marcados de metro a metro. A neve e o nevoeiro são fenómenos naturais que podem dificultar a visibilidade das marcações e ocultar a sinalização, mas não é sinónimo de impedimento para um pedestrianista formado e experiente que domine as técnicas de montanha e o conhecimento da paisagem. Apesar dos percursos pedestres facilitarem o acesso ao território de montanha, também não significa que possamos percorre-los sem o material adequado, sem um bom par de botas ou vestuário adaptado às condições. Porque o conhecimento nunca é demais!
Actualizado em Quarta, 01 Julho 2009 18:09  

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